Fiquei classificada em 4º lugar neste concurso, que se destinava ao preenchimento de 3 lugares.
Note-se o apelido na candidata classificada em 2º lugar.
Note-se agora o nome do vice-presidente desta mesma câmara municipal.
E já agora, os nomes que constam na composição das juntas de freguesia de Santa Clara a Nova, São Barnabé e Senhora da Graça dos Padrões, todos neste mesmo concelho.
Mas decerto que a senhora em causa tem o mérito do lugar. Isto não será mais do que a minha amargura e falta de fair play por ser a quarta vez que fico classificada no primeiro lugar não elegível de um concurso.
Quando a Matutano ou a Panrico lançam um sorteio, os funcionários e seus familiares são impedidos de concorrer, por regulamento. Mas ganhar a bicicleta das pastilhas Gorila também é algo muito mais importante do que o preenchimento de vagas de emprego público.
terça-feira, 21 de dezembro de 2010
pouca terra
Desde 10 de Maio de 2010 que a linha de comboios do Alentejo, que liga Lisboa a Évora e Beja, está encerrada, segundo o site da CP, para reabilitação e electrificação da infra-estrutura. Foi implementado um serviço rodoviário de substituição que será também suprimido a partir de 1 de Janeiro.
Quando estive em Milão, onde residi durante cerca de um ano, conheci quase todo a Itália de comboio. Turim, Génova, Veneza, Roma, Florença, Monza, Como, Verona, Garda e até Lugano, já na Suiça, são apenas alguns dos muitos destinos onde a via férrea me levou. Escolhia um lugar do mapa, e seguramente havia comboio que lá me levasse. Em qualquer destas cidades, a estação levava-nos ao centro, e não a uma periferia tão longínqua que leva à criação de uma nova povoação, ao estilo "Mafra Gare". Os horários também eram convidativos. Não havia o receio de perder um comboio e estragar a viagem, porque a periodicidade permitia sempre apanhar outro.
Segundo pessoas mais velhas que eu, num Portugal que já não conheci, eram muitas as linhas de caminho de ferro, e movimentavam muitas pessoas e mercadoria. Qual país desenvolvido, Portugal movimentava-se em carris. Muitas das linhas foram construídas em condições realmente difíceis, furando montanhas, escavando pedra e serpenteando a acompanhar os rios. E em poucas décadas, quase tudo isso passou à história.
Hoje temos camiões de mercadoria e Rede Expressos a encher as estradas. Estradas que, graças a isso, estão sulcadas sob o peso do tráfego poucos meses depois de serem inauguradas. Basta fazer contas à capacidade de carga de um camião, compará-la com a de um comboio, e imaginar o custo ambiental destas viagens. E, já agora, a influência destes pesos pesados na sinistralidade rodoviária.
Feita a ligação, é preciso pensar. Quem lucra com o facto de as mercadorias terem abandonado as vias férreas desactivadas, que são em número cada vez maior? Acho que com esta pergunta, fica tudo dito.
(Uma analogia semelhante poderia ser feita sobre o facto de à Rodoviária terem sido retirados os trajectos mais rentáveis, que passaram à Rede Expressos, mas isso são outras núpcias...)
O porto de Sines está subexplorado por falta de capacidade de escoamento da carga chegada por navio, que tem como único meio de transporte a rodovia. O aeroporto de Beja está concluído mas sem companhias aéreas interessadas, porque não existe ligação rápida e de alta capacidade a Lisboa nem a Espanha, o que o torna pouco apelativo para transporte de cargas, que diziam ser a razão da sua construção. E no entanto continuam a ser desactivadas cada vez mais ferrovias, tornando o país cada vez menos competitivo.
O comboio já não liga Lisboa a Évora e Beja. Mais duas cidades, capitais de distrito, ficaram sem ferrovia. E analisando o quadro geral, suspeito que a situação não seja temporária, e que o comboio já não volte.
Quando estive em Milão, onde residi durante cerca de um ano, conheci quase todo a Itália de comboio. Turim, Génova, Veneza, Roma, Florença, Monza, Como, Verona, Garda e até Lugano, já na Suiça, são apenas alguns dos muitos destinos onde a via férrea me levou. Escolhia um lugar do mapa, e seguramente havia comboio que lá me levasse. Em qualquer destas cidades, a estação levava-nos ao centro, e não a uma periferia tão longínqua que leva à criação de uma nova povoação, ao estilo "Mafra Gare". Os horários também eram convidativos. Não havia o receio de perder um comboio e estragar a viagem, porque a periodicidade permitia sempre apanhar outro.
Segundo pessoas mais velhas que eu, num Portugal que já não conheci, eram muitas as linhas de caminho de ferro, e movimentavam muitas pessoas e mercadoria. Qual país desenvolvido, Portugal movimentava-se em carris. Muitas das linhas foram construídas em condições realmente difíceis, furando montanhas, escavando pedra e serpenteando a acompanhar os rios. E em poucas décadas, quase tudo isso passou à história.
Hoje temos camiões de mercadoria e Rede Expressos a encher as estradas. Estradas que, graças a isso, estão sulcadas sob o peso do tráfego poucos meses depois de serem inauguradas. Basta fazer contas à capacidade de carga de um camião, compará-la com a de um comboio, e imaginar o custo ambiental destas viagens. E, já agora, a influência destes pesos pesados na sinistralidade rodoviária.
Feita a ligação, é preciso pensar. Quem lucra com o facto de as mercadorias terem abandonado as vias férreas desactivadas, que são em número cada vez maior? Acho que com esta pergunta, fica tudo dito.
(Uma analogia semelhante poderia ser feita sobre o facto de à Rodoviária terem sido retirados os trajectos mais rentáveis, que passaram à Rede Expressos, mas isso são outras núpcias...)
O porto de Sines está subexplorado por falta de capacidade de escoamento da carga chegada por navio, que tem como único meio de transporte a rodovia. O aeroporto de Beja está concluído mas sem companhias aéreas interessadas, porque não existe ligação rápida e de alta capacidade a Lisboa nem a Espanha, o que o torna pouco apelativo para transporte de cargas, que diziam ser a razão da sua construção. E no entanto continuam a ser desactivadas cada vez mais ferrovias, tornando o país cada vez menos competitivo.
O comboio já não liga Lisboa a Évora e Beja. Mais duas cidades, capitais de distrito, ficaram sem ferrovia. E analisando o quadro geral, suspeito que a situação não seja temporária, e que o comboio já não volte.
quarta-feira, 15 de dezembro de 2010
abertura
Tenho a mania de pensar. E normalmente a mesa de café é o cenário das minhas diatribes. Mas sem emprego e por isso com mais tempo livre, resolvi começar a registar em escrito e aberto ao mundo as minhas opiniões. E já agora, pelo meio, as peripécias da procura de emprego.
Já estudei no que é chamada uma das melhores faculdades da Europa, já vivi um ano fora do país, já residi em três zonas completamente distintas de Portugal e já fui funcionária pública. E por isso as minhas opiniões incluem o que aprendi, com um ponto de vista muito próprio, e por vezes bastante óbvio.
Dê-se início ao escárnio e mal dizer.
Já estudei no que é chamada uma das melhores faculdades da Europa, já vivi um ano fora do país, já residi em três zonas completamente distintas de Portugal e já fui funcionária pública. E por isso as minhas opiniões incluem o que aprendi, com um ponto de vista muito próprio, e por vezes bastante óbvio.
Dê-se início ao escárnio e mal dizer.
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