sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

andando para trás

Voltando ao tema das ferrovias, o site da CP informa que foram encerradas a linha de Leixões, o serviço regional no ramal de Cáceres e o ramal da Lousã.

Pouco a pouco, menos ferrovias e cada vez mais estradas cheias de pesados. Que evolução.

E ainda dizem que Portugal é um país muito evoluído na sustentabilidade.

parva que sou

Deolinda - Parva que sou


Sou da geração sem remuneração
e não me incomoda esta condição.
Que parva que eu sou!
Porque isto está mal e vai continuar,
já é uma sorte eu poder estagiar.
Que parva que eu sou!
E fico a pensar,
que mundo tão parvo
onde para ser escravo é preciso estudar.

Sou da geração ‘casinha dos pais’,
se já tenho tudo, pra quê querer mais?
Que parva que eu sou
Filhos, maridos, estou sempre a adiar
e ainda me falta o carro pagar
Que parva que eu sou!
E fico a pensar,
que mundo tão parvo
onde para ser escravo é preciso estudar.

Sou da geração ‘vou queixar-me pra quê?’
Há alguém bem pior do que eu na TV.
Que parva que eu sou!
Sou da geração ‘eu já não posso mais!’
que esta situação dura há tempo demais
E parva não sou!
E fico a pensar,
que mundo tão parvo
onde para ser escravo é preciso estudar
.



Voz à minha indignação (e de muitos outros). Finalmente.

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

copo meio vazio

Sou por feitio uma pessimista. Durante um ano bem sofrido de inactividade, aceitaria trabalho até na cochinchina. Agora, a semana e meia de começar a trabalhar em Loures, já estou a suspirar de angústia de deixar o Alentejo e voltar à vida das filas de trânsito.

É a vida.

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

rato do campo e rato da cidade

Vai por Mim - Mendes & João (Letra)

Artista: Mendes & João
Música: Vai por Mim

Não entres nesse comboio amor
Que vai rumo a essa terra longe
Onde as pessoas almoçam de pé
E nem sequer dizem olá
Por isso vai por mim
Não entres nesse comboio amor

Não lhe atendas o telefone amor
Ele só te vai trazer amargos
Isso é porque ele não gosta de ti
E tu ainda gostas de mim

Por isso vai por mim
Não lhe atendas o telefone amor
Vai por mim
A cidade não te assenta bem
Vai por mim
Não deixes que te assentem
Cimento no coração

Não te cases já, ó meu amor
Pensa bem no que isso significa
Não te esqueças de olhar para trás
Ainda tens quem te queira bem
Por isso vai por mim
Não te cases já, ó meu amor

Diz à mãe que me ligue, rapaz
Sei como é a vida na cidade
E sei que nos pode consumir
Ao ponto de se almoçar de pé
Por isso vai por mim
Diz à mãe que me ligue rapaz

Vai por mim
A cidade não te assenta bem
Vai por mim
Não deixes que te assentem
Cimento no coração

Aceita os meus pêsames amor
Já passaram sei lá quantos anos
O teu homem, Deus já tem
E tu ainda teimas, criatura
Vai por mim
Entra lá nesse comboio, amor

Vai por mim
A cidade não te assenta bem
Vai por mim
Não deixes que te assentem
Cimento no coração


http://www.nletras.net/


Eu bem queria ficar no campo. Durante um ano bem sofrido, tentei tudo o que me lembrei e apareceu, desde concursos para Câmaras a bater porta a porta em empresas de arquitectura e engenharia. Mas aparentemente o facto de ser "filha de ninguém" no Alentejo torna-me não empregável.

Foi recentemente lançada uma nova campanha de turismo no Alentejo, em televião, internet e imprensa. São ali listadas as características atractivas que, pretende a Agência Regional de Promoção Turística do Alentejo, levarão mais pessoas a visitar a região. Mas o Alentejo diz, à maneira de Oregon, "visitem, mas agora bazem".

O meu caso não foi único. Durante o ano em que estive em Beja, ouvi muita gente descrever casos parecidos ao meu, e independentemente do nível de instrução. Alguns, como eu, resolveram aceitar a ideia de ter que se mudar para Lisboa, outros, por falta de alternativa, vão ficando. Mas invariavelmente, se não são primos, sobrinhos ou afilhados da terra, não são aceites. "Obrigada, mas já trabalho com um primo/amigo/filho/whatever" era uma respsota comum quando andava a bater às portas. E o mais grave nem são as empresas, que não são propriamente obrigadas a avaliar os candidatos a emprego (ainda que talvez isso lhes trouxesse vantagens..); o pior é que os concursos para a administração pública são conduzidos exactamente da mesma forma. Embora seja publicado o anúncio que é obrigatório de abertura do concurso, e dezenas de candidatos de toda a parte do país se desloquem a cada uma das Câmaras para as provas, é tudo fogo-de-vista. Quanto mais pequena a Câmara, mas fortes as "cunhas".

E por isso agora me vejo nesta situação. Tenho que entrar no comboio e deixar que me assentem o cimento no coração. Tendo crescido nos subúrbios, foi sempre minha vontade de lá sair. Primeiro, para o centro da cidade; depois, tendo experimentado a vida fora do meio urbano, já não quis mais nada. Mas o que quero não interessa.

Geralmente pensa-se (ou pelo menos eu pensava, mas talvez fosse ingenuidade minha) que na zona de Lisboa, por ser mais concorrida em termos de emprego, existem mais "cunhas". E afinal não é assim. Convencida finalmente de que não podia ficar eternamente à espera de emprego no Alentejo, comecei a concorrer para a zona da capital. E veja-se lá que consegui o 1º lugar no concurso para uma Câmara, a de Loures, à primeira tentativa, apesar de terem concorrido mais de 200 pessoas. Por oposição aos 8 concursos no Alentejo em que fui excluída ou remetida para lugares não elegíveis. Enfim.

Portanto. Loures aqui vou eu. Ai que saudades do subúrbio.

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

uma salva de palmas

Fiquei classificada em 4º lugar neste concurso, que se destinava ao preenchimento de 3 lugares.

Note-se o apelido na candidata classificada em 2º lugar.

Note-se agora o nome do vice-presidente desta mesma câmara municipal.

E já agora, os nomes que constam na composição das juntas de freguesia de Santa Clara a Nova, São Barnabé e Senhora da Graça dos Padrões, todos neste mesmo concelho.

Mas decerto que a senhora em causa tem o mérito do lugar. Isto não será mais do que a minha amargura e falta de fair play por ser a quarta vez que fico classificada no primeiro lugar não elegível de um concurso.

Quando a Matutano ou a Panrico lançam um sorteio, os funcionários e seus familiares são impedidos de concorrer, por regulamento. Mas ganhar a bicicleta das pastilhas Gorila também é algo muito mais importante do que o preenchimento de vagas de emprego público.

pouca terra

Desde 10 de Maio de 2010 que a linha de comboios do Alentejo, que liga Lisboa a Évora e Beja, está encerrada, segundo o site da CP, para reabilitação e electrificação da infra-estrutura. Foi implementado um serviço rodoviário de substituição que será também suprimido a partir de 1 de Janeiro.

Quando estive em Milão, onde residi durante cerca de um ano, conheci quase todo a Itália de comboio. Turim, Génova, Veneza, Roma, Florença, Monza, Como, Verona, Garda e até Lugano, já na Suiça, são apenas alguns dos muitos destinos onde a via férrea me levou. Escolhia um lugar do mapa, e seguramente havia comboio que lá me levasse. Em qualquer destas cidades, a estação levava-nos ao centro, e não a uma periferia tão longínqua que leva à criação de uma nova povoação, ao estilo "Mafra Gare". Os horários também eram convidativos. Não havia o receio de perder um comboio e estragar a viagem, porque a periodicidade permitia sempre apanhar outro.

Segundo pessoas mais velhas que eu, num Portugal que já não conheci, eram muitas as linhas de caminho de ferro, e movimentavam muitas pessoas e mercadoria. Qual país desenvolvido, Portugal movimentava-se em carris. Muitas das linhas foram construídas em condições realmente difíceis, furando montanhas, escavando pedra e serpenteando a acompanhar os rios. E em poucas décadas, quase tudo isso passou à história.

Hoje temos camiões de mercadoria e Rede Expressos a encher as estradas. Estradas que, graças a isso, estão sulcadas sob o peso do tráfego poucos meses depois de serem inauguradas. Basta fazer contas à capacidade de carga de um camião, compará-la com a de um comboio, e imaginar o custo ambiental destas viagens. E, já agora, a influência destes pesos pesados na sinistralidade rodoviária.

Feita a ligação, é preciso pensar. Quem lucra com o facto de as mercadorias terem abandonado as vias férreas desactivadas, que são em número cada vez maior? Acho que com esta pergunta, fica tudo dito.

(Uma analogia semelhante poderia ser feita sobre o facto de à Rodoviária terem sido retirados os trajectos mais rentáveis, que passaram à Rede Expressos, mas isso são outras núpcias...)

O porto de Sines está subexplorado por falta de capacidade de escoamento da carga chegada por navio, que tem como único meio de transporte a rodovia. O aeroporto de Beja está concluído mas sem companhias aéreas interessadas, porque não existe ligação rápida e de alta capacidade a Lisboa nem a Espanha, o que o torna pouco apelativo para transporte de cargas, que diziam ser a razão da sua construção. E no entanto continuam a ser desactivadas cada vez mais ferrovias, tornando o país cada vez menos competitivo.



O comboio já não liga Lisboa a Évora e Beja. Mais duas cidades, capitais de distrito, ficaram sem ferrovia. E analisando o quadro geral, suspeito que a situação não seja temporária, e que o comboio já não volte.

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

abertura

Tenho a mania de pensar. E normalmente a mesa de café é o cenário das minhas diatribes. Mas sem emprego e por isso com mais tempo livre, resolvi começar a registar em escrito e aberto ao mundo as minhas opiniões. E já agora, pelo meio, as peripécias da procura de emprego.

Já estudei no que é chamada uma das melhores faculdades da Europa, já vivi um ano fora do país, já residi em três zonas completamente distintas de Portugal e já fui funcionária pública. E por isso as minhas opiniões incluem o que aprendi, com um ponto de vista muito próprio, e por vezes bastante óbvio.

Dê-se início ao escárnio e mal dizer.